quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O acordo era viver


O acordo era viver
Não importa o que ouvesse
O assombro foi esquecer
Como se missão não tivesse
Como se o acaso supusesse
Como se a canção falecesse



Em um submundo logo estavamos nós
Imersos no imundo espelho do algoz
No antro obscuro de uma selva feroz 
Reflexos côncavos do lado tardoz



Mas lá no fundo algo ligava os nós
Como um fino fio alvo do seres sós
A chave mestra, a grande porta voz
Chuva maestra, fonte da grande foz



sábado, 2 de setembro de 2017

Louca mania de poeta



Eu falo as mesmas coisas
Em diferentes formas
Falo de várias coisas
Usando as mesmas palavras
Fermento esses traços
Traço-me a cada forma
Degusto cada timbre
Descubro-me em cada nota



O compasso é requintado
Cada passo tem sua postura
Como o aço bem forjado
Há de ter uma boa cura
A alquimia das palavras
Nostalgia inquieta
Destilando seus deslumbros
Louca mania de poeta

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Logo que te vi

                            
                 
Logo que te vi
Foi como poder algo ouvir
Senti em ti uma altivez
Fui logo dando-me a sorrir

Foi o modo que tive
Transpiro de inlucidez
Desculpa, não me contive
Mas não me há culpa desta vez

Queria tocá-la pra fundir
Eu quis cantá-la mas entendi
Que a nossa fala era sentir
E a nossa escala estava em si

Me recompus em melodias
De uma canção que me acolhia
Me equalizei nesta harmonia
Guardei tua luz
Guardei este dia

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Sujeito lírico



Alguém me disse que pra ser poeta só sendo romântico
Algo me diz que ser poeta não é só dieta
Se a dança é bela mas não se ouve o cântico
O que coubera? o que acarreta?

Poeta louco, enigmático
Um amante lunático
Seu apelo é pouco mas nada prático
Um vagante ascético

Impele o sopro do anonimato
Alma que não envelhece
Afere o ópio no abstrato
Dádiva que compadece

Ilustra o brilho do que é opaco
Aborda temas inusitados
Da borda rema sentido vácuo

Sujeito lírico do jeito ousado